terça-feira, 29 de março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

Entre a poesia e a primavera


O meu coração nasceu nu,
logo em fraldas embalado.
Só mais tarde usou
poemas em vez de roupas.
Tal como a camisa que punha
levava sobre o corpo
a poesia que lera.


Vivi meio século assim
até que, sem uma palavra, nos encontrámos.
A minha camisa nas costas da cadeira
diz-me que hoje percebi
quantos anos
a decorar poemas
esperei por ti.

John Berger

A melhor parte da nossa memória está fora de nós

i'm on my bed
my bed of stones
but in the end of the night we'll rest our bones

Ora as lembranças de amor não constituem excepção às leis gerais da memória, também elas regidas pelas leis mais gerais do hábito. Como este enfraquece tudo, o que melhor nos recorda um ser é justamente o que esquecemos (porque era insignificante e lhe deixámos assim toda a sua força). Por isso é que a melhor parte da nossa memória está fora de nós, numa aragem pluviosa, no cheiro de um quarto fechado ou no cheiro de uma primeira labareda, em toda a parte onde encontramos de nós mesmos o que a nossa inteligência, por não o utilizar, pusera de lado, a última reserva do passado, a melhor, aquela que, quando todas as nossas lágrimas parecem esgotadas, nos sabe ainda fazer chorar.

Marcel Proust

life changes

life changes
people move from place
the path to the house is far away
i´m lost
i´m so far down on me
this game is so different
everything changed
the people are gone
the space is so great
and time passes away
i sit and watch
nothing has changed
the path to the house changed
signs show the way
the wrong way
why?
i do not want to go home today

Eduardo Zidu de Oliveira




sexta-feira, 18 de março de 2011

Será Que São Anjos 1

1. São anjos ou não são saber descrever não possuem asas mais tão aqui para ajudar as pessoas
São belas
Parecem que foram moldadas pois tão lindas que são
Parecem não terem casas pois passam a noite de virgilia aqui
Devem sofrem de insónia não se vestem de branco como nos quadros, vestem de preto e com roupa curta
Aproximam-se dos carros e dizem eu não ouço
Será um cânticos ou uma reza para darem sorte
Os anjos não dormem vão embora as cinco para poderem ouvir o canto do sol como descrever se nem em seus olhos posso ver com a maquiagem que os cobrem
Será que foi por amor que a chamam de Maria Madalena, foi assim que a mãe a chamava, e já ninguém mais a chama assim

Eduardo Zidu de Oliveira



1634

quinta-feira, 17 de março de 2011

 "Voce disse-me que a nossa casa ainda esta do mesmo jeito
com fotos e retratos movendo-se nas paredes.
Eu disse que a guerra em mim continuava por existir
porque nós dois sabemos que nada é perfeito"

Eduardo Zidu de Oliveira




terça-feira, 15 de março de 2011

Uma Prova na Vida

Se você pode-se hoje fazer uma prova na qual o conteúdo fora os seus últimos 5 anos
ou de quando você tinha 15 anos.
Responder seria fácil todos teríamos notas altas e todos passaríamos de ano.

E se essa prova fosse feita ao contrario?

Se essa prova fosse feita a 5 anos quando você tinha 15 ou 16 anos, você acha que acertaria alguma pergunta?
Muitos iria responder que sim que estaria pelo menos vivos, isso foi o que me fez pensar.
um grande amigo meu que hoje descansa em paz que me viu crescer se despediu.

Joel essa é pra você

Eu  nunca achei que sentiria falta de alguma coisa na vida mais hoje sinto muita, no próximo mês de Agosto faço 5 anos que sai do Brasil. Quando era mais novo pensava em um dia chegar a fazer uma viajem mais nunca pensei que isso fosse acontecer assim tão rápido. Sendo assim nessa pergunta eu ria errar.
E quando os professores perguntavam o que você gostaria de ser quando crescer eu respondia professor de eduacaçao física, hoje trabalho com restaurante e gosto de escrever, erraria em mais uma pergunta.

Então caminho para um mundo em qual vou tentando fazer um teste por dia mais sem responder nenhuma pergunta. Por que? Não sei apenas acho que acredito

I Believe

Eduardo Zidu de Oliveira




segunda-feira, 14 de março de 2011

ALL-STAR


O all star,é muito visto nas ruas..
Os seus modelos e cores encantam pessoas de diversas idade.
Suas cores vibrantes como:
Verde,Laranja,Rosa são mais usados por adolecentes...
Enfim o all star é um sapato que nunca
cai de moda

domingo, 13 de março de 2011

In a wilderness of foggy thoughts


Era uma vez um lugar com um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para o outro, e encontravam-nos, a eles, ao inferno e ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e eles eram seus de verdade. As pessoas eram pequenas, mas faziam muito ruído. E diziam: é o meu inferno, é o meu paraíso. E não devemos malquerer às mitologias assim, porque são das pessoas, e neste assunto de pessoas, amá-las é que é bom. E então a gente ama a mitologia delas. À parte isso o lugar era execrável. As pessoas chiavam como ratos, e pegavam nas coisas e largavam-nas, e pegavam umas nas outras e largavam-se. Diziam: boa tarde, boa noite. E agarravam-se, e iam para a cama umas com as outras, e acordavam. Às vezes acordavam no meio da noite e agarravam-se freneticamente. Tenho medo - diziam. E depois amavam-se depressa e lavavam-se, e diziam: boa noite, boa noite. Isto era uma parte da vida delas, e era uma das regiões (comovedoras) da sua humanidade, e o que é humano é terrível e possui uma espécie de palpitante e ambígua beleza. E então a gente ama isto, porque a gente é humana, e amar é que é bom, e compreender, claro, etc. E no tal lugar, de manhã, as pessoas acordavam. Bom dia, bom dia. E desatavam a correr. É o meu inferno, o meu paraíso, vai ser bom, vai ser horrível, está a crescer, faz-se um homem. E a gente então comove-se, e apoia, e ama. Está mais gordo, mais magro. E o lugar começa a ser cada vez mais um lugar, com as casas de várias cores, as árvores, e as leis, e a política. Porque é preciso mudar o inferno, cheira mal, cortaram a água, as pessoas ganham pouco - e que fizeram da dignidade humana? As reivindicações são legítimas. Não queremos este inferno. Dêem-nos um pequeno paraíso humano. Bom dia, com está? Mal, obrigado. Pois eu ontem estive a falar com ela, e ela disse: sou uma mulher honesta. E eu então fui para o emprego e trabalhei, e agora tenho algum dinheiro, e vou alugar uma casa decente, e o nosso filho há-de ser alguém na vida. E então a gente ama, porque isto é a verdadeira vida, palpita bestialmente ali, isto é que é a realidade, e todos juntos, e abaixo a exploração do homem pelo homem. E era intolerável. Ouvimos dizer que, numa delas, o pequeno inferno começou a aumentar por dentro, e ela pôs-se silenciosa e passava os dias a olhar para as flores, até que elas secavam, e ficava somente a jarra com os caules secos e a água podre. Mas o silêncio tornava-se tão impenetrável que os gritos dos outros, e a solícita ternura, e a piedade em pânico - batiam ali e resvalavam. E então a beleza florescia naquele rosto, uma beleza fria e quieta, e o rosto tinha uma luz especial que vinha de dentro como a luz do deserto, e aquilo não era humano - diziam as pessoas. Temos medo. E o ruído delas caminhava para trás, e as casas amorteciam-se ao pé dos jardins, mas é preciso continuar a viver. E havia o progresso. Eu tenho aqui, meus senhores, uma revolução. Desejam examinar? Por este lado, se fazem favor. Aí à direita. Muito bem. Não é uma boa revolução? Bem, compreende... Claro, é uma belíssima revolução. E é barata? Uma revolução barata?! Não, senhores, esta é uma verdadeira revolução. Algumas vidas, alguns sacrifícios, alguns anos, algumas. Um bocado cara. Mas de boa qualidade, isso. E o rosto que se perdera, que possivelmente caíra do corpo e rolara debaixo das mesas, o rosto? Lembras-te? Como foi que ficou assim? Não sei: tinha uma luz. Sim, lembro-me: parecia uma flor que apodrecesse friamente. Era terrível. Boa noite. E ela trazia um vestido de seda branca, e nesse dia fazia dezoito anos, e estava queimada pelo sol, e era do signo da Balança, e tomou os comprimidos todos, e acabou-se. Não compreendo. E julgas tu que eu compreendo? Quem pode compreender? Ela era a própria força, aquela irradiante virtude da alegria, aquele fulgor radical..., compreendes? Sim, sim. Tinha um vestido de seda, e era nova, e então acabou-se. Para diante, para diante. Não se deve parar. Enforquem-nos, a estes malditos banqueiros. Este vai ser trinta e cinco andares, será o mais alto da cidade. Por pouco tempo, julgo eu. Como? Sim, vão construir um com trinta e seis, ali à frente. Remodelemos o ensino. Cantemos aquela canção que fala da flor da tília. Bebamos um pouco. E o outro, o outro, o que viu Deus quando ia para o emprego?! Isto, imaginem, às 8h.45m. de uma tranquila manhã de março. Uma partida. Uma partida de Deus? Boa piada. Não amará Deus essas maliciosas surpresas? Um pequeno Deus folgazão?! Ele ficou doido. Começou a gritar e a fugir. Que Deus vinha atrás dele. E depois? Bem, lá construíram o prédio com trinta e seis andares, e o outro ficou em segundo lugar. Isto é o trabalho do homem: pedra sobre pedra. É belo. Vamos amar isto? Vamos, é humano, é do homem. E as crianças cresceram todas, e andavam de um lado para outro, e iam fazendo pela vida - como elas próprias diziam. E então as condições sociais? Sim, melhoraram bastante. Mas uma delas começou a beber, e depois o coração estoirou, e ficou apenas para os outros uma memória incómoda. Parece que sim, que tinha demasiada imaginação, e levaram-na ao médico e ele disse: aguente-se, e ela não se aguentou. Era uma criança. Não, não, nessa altura já tinha crescido, bebia pelo menos um litro de brandy por dia. Nada mau, para uma antiga criança. A verdade é que era uma criança, e não se aguentou quando o médico disse: aguente-se. E as ruas são tão tristes. Precisam de mais luz. Mas nesta, por exemplo, já puseram mais luz, e mesmo assim é triste. É até mais triste que as outras. Estou tão triste. Vamos para férias, para o pequeno paraíso. Contaram-me que ele tinha uma alegria tão grande que não podia agarrar num copo: quebrava-o com a força dos dedos, com a grande força da sua alegria. Era uma criatura excepcional. Depois foi-se embora, e até já desconfiavam dele, e embarcou, e talvez não houvesse lugar na terra para ele. E onde está? Mas era uma alegria bárbara, uma vocação terrível. Partiu. E agora chove, e vamos para casa, e tomamos chá, e comemos aqueles bolos de que tu gostas tanto. E depois, e depois? Ele era belo e tremendo, com aquela sua alegria, e não tinha medo, e só a vibração interior da sua alegria fazia com que os copos se quebrassem entre os dedos. Foi-se embora.
Herberto Helder
(faltaste-me tu. para correr pelas ruas.)

1612

Senhores Do Tempos

  " Lá vem os senhores do tempo vêem buscar as minha memorias e os meus sonhos
mas o que eles não sabem é que nunca irão leva-los mesmos se os céus caírem pois sei que eles vêem buscar nas horas mais inesperadas as pessoas que amamos e as levarem para bem longe daqui
então não guardo-as em gavetas ou em retratos
escondo-as em meu peito e em minha cabeça


Um lugar onde os senhores do tempo não a tocaria um lugar secreto que é só meu só meu
estamos parados em frente a porta aberta esperando alguém chegar e nos libertar levando-nos para um longe "

Eduardo Zidu de Oliveira



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terça-feira, 1 de março de 2011

Eu tenho uma grande estrela brilhando comigo

Eu tenho uma grande estrela brilhando comigo
Eu ia dar ela para você mais, você se foi, foi para longe de mim
E é verdades que era toda pra você
Fiquei como um rei perdido
Com meu coração quebrado
A sua luz apagou e foi verdade que você foi pra onde um rei não reinava
Fechei um lugar e abri um outro
Pra você voltar na verdade eu já sabia
Que quando se brilha tanto
Não é preciso ter luzes no quarto
Eu jura que voltei abri por você mais você não veio e eu tentei na mesma

Eduardo Zidu de Oliveira



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