sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Longe Dali

Ela surge num ápice de nostalgia
num dia cinzento,chuva fria molhando os pés
solta o guarda-chuva na berma da estrada, indispensável
Olha o céu de olhos fechados
Num abraço solitário, num espaço vazio
suga a força das gostas que picam a pele
Um som distante, um reflexo
quando vira o rosto ao se ver no meio da estrada
deitada e sem vida
A poça refresca os cabelos espalhados a volta, desordenados
ali quieta, num sossego merecido, de alívio tardio
Não se vê além da água a cobrir-lhe o rosto
Ela se dirige a melodia que ocupa os pensamentos
distante do chão que a suporta
distante do peso que lhe pousava aos ombros
Longe, simplesmente, de tudo.
Apenas o corpo deixado a sujeira que a correnteza trazia

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