
As noites de sábado não seriam as mesmas se elas não me trouxessem a ti. Deitada sobre os lençóis brancos de sede casta, tu te fazes de menina, tentando esconder os teus traços de mulher arisca. Lá fora chovia serenamente, um contraste perfeito do que se podia colher de teu sorriso sutil. Cobria-me os olhos, puxa-me pela cintura. Fazia-me sentar, ali bem perto de ti, para que só de ti eu pudesse respirar. Eras egoísta, e, eu gostava de te sentir assim. Possessiva. Incontrolável. Cravando-me tuas unhas, marcando na pele o que só podia ser teu. Puxa-me a cabeça, querias que te visses. O tempo todo. Agarravas-me pelos cabelos, e, colocavas os meus lábios na altura de teus olhos. Gostavas de vê-los se ressecando aos poucos, enquanto que se embebiam passivamente de ti.
Mas, tu também eras romântica, embora quase nunca demonstrasses isso. Pedias-me que te lesses poesias, apontavas-me estrelas que eu jamais conseguia ver. Brincavas com os dedos em meus cabelos, e, juravas proteger-me com tua vida. Ali, eu sabia não haver posse. Não era isso que motivava tais palavras. Era um amor incondicional, irrevogável, irreversível. Ao menos, era assim que eu me sentia, quando tu te acolhias em meu peito, e, prendias a mão na minha. Juravas me proteger, mas eras tu quem precisavas ser protegida.
Mulher, ou, menina, acho que nunca consegui te entender. Mas, e, tu? Foste tu também capaz de nesses momentos me entender?
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