sábado, 18 de dezembro de 2010

No Horizonte


Estou deitado na minha cama o sol entra pela janela e ilumina o meu rosto com marcas do choro da noite
Através dela consigo ver o mar esbanjando seu brilho de braços abertos para acolher o destino daqueles muitos marinheiros que levam as tristezas e as saudades
Mas também levam as esperanças e os amores em outros portos, desvendam os mares e caminhão para o horizonte




Eduardo Zidu de Oliveira



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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Hibernação

É muito difícil falar sobre o amor agora. Não depois de tê-lo visto partir, de tê-lo deixado seguir direção oposta a um abraço meu. Ilusão tola achar que poderia curar tudo com um abraço! Que poderia preencher as lacunas de um tempo com um gesto de carinho. Proteger com a minha vida. Como se agora ela parece tão pequena, e, tu sempre foste muito maior do que eu desejei ser? Não era para sermos assim, dois personagens de uma mesma história. Ou, talvez, até fosse, mas que tivesse um outro literário final, ou, que houvesse uma página em branco, à espera por algo que ainda haveríamos de escrever. A quatro mãos. Dois corações. Duas vidas, distintas uma da outra, mas tão fielmente unidas por laços que não se deixariam dissolver. Mas, agora isso tudo é só reflexão de uma folha de um caderno de notas, já que todas as outras, aquelas lá de um tempo atrás, eu arranquei em nossa última discussão. O vento levou para algum lugar, que eu não sei mais onde é. Perdi-te no exato momento em que não soube te dizer não. Não vá embora de mim.

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Soneto de Amor

♪ O.Fagundes ♪:

Soneto de Amor
Talvez não ser é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio-dia
como uma flor azul, sem que caminhes
mais tarde pela névoa e os ladrilhos,
sem essa luz que levas na mão
que talvez outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem rubra da rosa,
sem que sejas, enfim, sem que viesses
brusca, incitante, conhecer minha vida,
aragem de roseira, trigo do vento,
e desde então sou porque tu é,
e desde então é, sou e somos
e por amor serei, serás, seremos.


Pablo Neruda

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Texto de 2006

Após a noite chuvosa cair eu dançarei e cantarei na chuva I Don´t Love You feliz pois saberei que dessa vez será verdade

Escrevo poemas em seu rosto na delicadeza de sua pele macia com seu cabelo ao vento esbanjando um perfume d´rosas
nos teus olhos que são como duas pérolas negras rasgando o vidro de meu coração

Eduardo Zidu de Oliveira



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sábado, 11 de dezembro de 2010

Do Outro Lado

'strange'

Queria a muito tempo ter-te dito isto
Ter sentado na cadeira macia de cor preta e couro leve
e tocar as teclas citando toda minha tristeza de ainda não te conhecer
Toda desesperança de não te encontrar, de partir sem te sentir
a minha solidão busca a tua companhia, te procura no luar e nas estradas vazias
Tenta te encontrar no silêncio e no aconchego da cama quente, mas você não está lá
Sonhei tantas vezes com um homem, cuja compreensão intacta
Deu-me carinho em noites vagas, amor e atenção de um corpo sem face
Me sinto tão completa quando penso em nós, se ao menos eu soubesse quem é você.

Homenagens a minha mãe / Em nome da minha mãe 13/08/2008

Ave-Maria, cheia de graça! O Senhor é convosco
Bendita sois vóis entre as mulheres
E Bendito é o Fruto do vosso ventre, Jesus
Santa Maria Mãe de Deus,
Rogai por nós os pecadores
Agora e na hora de nossa morte. Amém


sei que não sou um filho exemplar
sei que também não sou o melhor filho
sei que aparentoo ser frio isso não nego
sei que não mostro muito meus sentimentos
sei que não aparento ser carinhoso
gentil
sensível...
mais sou preocupado.
me preocupo com a senhora todas as noites
imagino como você esta e onde deve estar
sozinha
acompanhada ou ate mal acompanhada
sou atencioso isso não nego

Eduardo Zidu de Oliveira



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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Depois Que Você Disse . . .

... você disse que não me amava mais, e eu disse o mesmo
concordamos em nos afastar
eu busquei um caminho diferente e mais longe de ti e tu também
mas eu a amava e você também e isso vai ser eterno foi o que ficou escrito em nós
vamos segure na minha mão e acompanhe-me

brigamos muito mais você sabe como eu penso e eu também sei como você pensa
teus pais não aprovam e meus amigos também não
mais nessa noite combinamos nossos defeitos ...

Eduardo Zidu de Oliveira



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A Dois Passos da Argentina

Estou na porta de casa a dois passos da argentina onde tudo começou e durante todo o caminho juntei muitas pedras que aos poucos foram ficando para traz e outras que tiveram de tomar seu próprios caminhos
andei ate aqui só pra dizer que não aguento mais quando você parti
mais de um quarto de mim partira junto
estou tentando ser forte e não chora, mais não da a cada dia fica mais difícil de aceita
minha casa estava tão cheia de pessoas queridas mais agora só resta dois e provavelmente um minha alma estava tão protegida da tristeza eu largaria minha família
largaria tudo por você
quando sai achei uma escada com tanto brilho e limpa com uma corda antiga e cheia de pó
não queria subi mais a vida nos arrasta para ela com tanta força que ao se agarrar os dedos parte-se
e os corpos ficam leveis como os cristais de neves que caem no inverno
no começo dessa escada achei que me apoiando na corda bastava, mais aos poucos as forças acabaram e então vi que a cada degrau que subia as pessoas que mais gosto estavam junto degrau por degrau
porem cada pessoa tem sua própria escada e por sua vez foram ficando para traz a cada passo mais seu incentivos junto com as cordas me fizeram seguir.


e com o tempo os incentivos param por isso não peço para você ficar quero que vá igual aos outros e as pedras que ficaram no caminho
peço apenas para que não me deixe de lembra do seu rosto nem da tua pele que não pude tocar nem os lábios que não tive a oportunidade
mais que seus incentivos me fizeram muito bem
por você roubaria cada degrau de sua escada e se fosse possível roubaria a escada toda só para acompanha a cada passo que você dava de sofrimento, o sofrimento que nos torna fortes quero ver você forte sempre


estou a menos de um passo da argentina a onde tudo vai termina



Eduardo Zidu de Oliveira

Send me a flower of your december

Se fosse possível, seria este o presente que gostaria de te oferecer. Arrancá-lo-ia como quem arranca um cacho de uvas. Diria: Toma. É a minha vida.


Virginia Woolf

Chegamos a Dezembro sem os lamentos habituais, com as mãos nos bolsos e a assobiar canções que deixaram de ser proibidas nos nossos lábios. Estremeço de cada vez que me chamas meu amor, faço de conta que não ouço, coro de vergonha sem saber o que dizer. Porque não há palavras. Gesticulo o mais que posso para disfarçar o embaraço de tanto te querer, e tu a veres. Suspiro infinitamente quando te sinto perto, basta imaginar-te. De resto, o despertador insiste em contar as horas que faltam para te abraçar. Sempre achei que Dezembro escancarava a minha solidão: trazia frio e chuva às noites sempre longas. Agora lembro o teu sorriso, agradeço este coração cada vez mais quente, repleto de uma luz que conforta e inquieta na medida exacta da profundidade dos teus olhos nos meus. E assim adormeço, a amontoar sonhos entre a nossa voz sussurrada
 
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Um canto telegráfico

i had nearly given up dear with all my fantasies

then you come and crossed my path and so here we be
and how the hell did i live this long without you by my side
can i believe it's you i've sensed and sung to all my life
arms that held me never worked before until i was held by you

Este passo encontrado que nos guia entre as mesas
este chegar tão tarde às pontes levadiças
para uma exposição de rosas no nevoeiro
este eterno trabalho de dadores de sangue
é o que mais nos defende do massacre
vá recomecemos
do ocasional gemido do fantasma eriçado
as notas principais:
pendurar numa árvore o rio capitoso de tantas lágrimas
descer de chapéu na cabeça até ao patamar
dizer para sempre aos cabelos da noite
que basta descalçar lentamente um sapato
que basta ter achado atrás do travesseiro o relâmpago azul do contacto com as mãos
ou ter ido seguro por lençois de linho a devastar de arbustos as solidões do teu corpo

do qual recordo ora as mais vivas carícias ora um mar interior de grande obscuridade

feito de todo o mármore do mundo de toda a areia que sobra do mundo erguido para o silêncio que estrutura o dorso de todas as paisagens belas frágeis do mundo
descer depois já a chorar de medo e a tremer de amor todo o lado de cá

chegar de rosto na água a aparecer às janelas
com um capuz no sítio da cabeça


ah um automóvel!


Nós vivemos há muito nesta espécie de caverna bruxa
alta pelo silêncio que nos veste
real pela erosão de um sol peculiar que ilumina o recinto intermitentemente
um sofá que não é para aqui chamado
também podia servir de modelo à ampla descrição do fenómeno a luz
que nos excede e emite nos liberta e sufoca
depois há um que entra a perguntar o que é
e tudo assume um pouco o ar policial
dos cascos em fuga pela realidade fora


Merecemos o nosso passo de bichos de dilúvio
merecemos que nos ceguem todos os dias
merecemos estar sozinhos rodeados de prédios
merecemos ter connosco toda a vontade
fim princípio moleza dos costumes
assassinatos histórias de basílicas
e até porque não dominicais
mas como não gritar à passagem triunfal do Grande Monstro Parado
como sermos bem nós e a localidade
muito bem disfarçada de necessidade
pela subterrânea passagem que é nossa
como não aspirar a um ponto de espírito um ao outro
em que a deflagração cristalize uma rosa ascensional
e como são as palavras para dizer que te amo
fantasma
cidade doida
braço contra as nuvens
alta promessa minha sempre em vão corada
Apetece contar uma história tão estranha que as pessoas saiam aos tropeções de casa
apetece anunciar com voz fanhosa
cronologicamente cruelmente
todas as horas do pasmo
todos os dias do calendário do medo
todas as terças-feiras da angústia de haver rosas
todo o fumo e toda a raiva de um relógio de sol
Tomaram-nos o pulso e ficámos febris
com o amor que não há a inundar-nos a cara
este amor não esquece este amor
não se esquece há um rato
na tua camisa o céu brilha o céu está
os amantes retomam os seus quartos
num plácido e extenuante recolhimento gráfico
mas não basta encostarmo-nos à parede
para que tudo ressurja e vestir de novo as fardas
a imaginação ainda não é
para servir de pedreiro A Imaginação
as radiosas salas superiores
através da cidade nos jardins nas gárgulas
abre-se o leque das mil cenas celestes
com o homem na ponte cor de rosa velho
as mãos na água a cabeça no mar
Onde é esta partilha este verdete

esta limalha que nos sobem à boca

onde é esta verdade que empurra as estrelas
para intranspossíveis mundos transportadores
uma última vez despedaçados amemos
amemos a nossa pedra o nosso olhar de mil cores
o mármore sem remédio das figuras bloqueadas
como são as crianças e os gigantes
uma última vez e mais estranhos
mais desertos de enigmas mais atrozmente firmes
sob a opulenta folhagem dos soluços
Dir-te-ei que os meus dias foram os teus dias o teu leito o meu leito este corpo este mar
dir-te-ei que há uma rosa oculta num jardim e que ela é uma e outra como nós fomos
estas pétalas são os teus olhos fechados

são as ondas por onde sopra o vento e nasce a cor da aura e o grito gelado das coisas


Dir-te-ei foi agora
cintilante mortal cortado a fogo
e breve
rigoroso
Na sombra repousante
os teus olhos os teus
vãos pensamentos
como um leito avançando sem suporte
ou um navio perdido do dono
Tu partirás primeiro de lado contracenando
e arrastando contigo toda a paisagem
vejo uma águia assustadoramente voando alto
na retina
do vento
vejo o que foi permitido: tocar o horizonte


Amanheceremos fantasmas doutro teatro de sombras
seguiremos imóveis caindo por distracção
de amarra para amarra tomaremos o eléctrico
para o fundo da Terra cidade lúcida e quente
a aí expostos de novo sempre à fúria de curiosos engenhos destruidores
interceptaremos outra vez a vida
digo-te sim faremos girar a Terra
com o polegar nos polos canto telegráfico só captável pelo ar do Karakorum, entre os gelos gigantes do Tibete
e o indicador nos céus realizando o futuro da harmonia
para além de uma lágrima de um adeus com os olhos
numa estação sombria vomitando morte


Dito isto fica um grande espaço vazio
onde o homem está só não já de corpo ou de espírito
mas de todo o murmúrio e todo o espasmo
e então sim contra os vidros

o amor soluça tempestade
deuses cegos assomam às janelas e tombam
sobre o odioso chão que ladra e ladra
uma aurora de cães afivela o teu pulso
e a cobardia responde à cobardia
como a coragem responde à coragem
Um pouco de certo modo por toda a parte
há homens desmaiados ou simplesmente mortos

O AMOR REDIME O MUNDO diziam eles


mas onde está o mundo senão aqui?
 
Mário Cesariny


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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Passei a Noite na Praia

... passei a noite na praia esperando o sol queimar meu rosto mais na verdade confersso que estive esperando por você a noite inteira
pois foi assim que eu te encontrei
agora é a sua vez de encontra-me

estou perdido no meu próprio mundo e apenas você tem a chave
sei que vai demorar então aprese-se pois não posso ficar esperando
o verão já esta no fim e esta ficando frio aqui ...


Eduardo Zidu de Oliveira

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Retratos - 10/03/2008

A tantas coisas bonitas que agente guarda em pensamentos rostos lugares momentos
lembro do teu rosto em todos os lugares em todos os momentos do meu dia

enquanto você fugia minhas lágrimas caiam lentas
um beijo para sempre vai ficar marcado naquela mulher menos perfeita

estou caminhado sozinho rumo ao nada mais peço licença a pessoa amada para abri a porteira para atravessar sua estrada

Eduardo Zidu de Oliveira




Cada História Escreve a Sua História

Meus dedos deslizam rápido sob o teclado molhado. A chuva apenas me dá uma falsa sensação de que aqui não há mais por ti sentimento algum. Afoga um terreno banhado de lágrimas. Como são tolas as ilusões! Prefiro antes as desilusões, que são mais viscerais, e, talvez, por isso, mais reais também.
E de tudo o que ficou, quem me fará esquecer essas feições tão de ti em mim? Este meu jeito de olhar o vazio, como se nele coubesse todas as minhas dúvidas. Havia muitas, e, disso tu bem sabes. Mas, também havia uma certeza única, irrevogável, que me fazia acreditar ser possível amar, e, ser amado, sem que as dores de um pseudo “faz de conta” pudessem me abalar. E esta certeza, eu conseguia colher de todos os teus sentidos, aqui, comigo, e, que talvez por isso, eu ainda consiga ter o que escrever.
E, eu fico por cá pensando se ainda haveríamos de ter um final feliz desta vez.
Sento, e, escrevo

Ao anoitecer

this one goes out to the one i love
E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia
Al Berto
Se te contasse por palavras a melancolia que todos os dias me toma de assalto julgo que irias fugir sem olhar para trás. Nesses momentos mergulho o olhar no fundo do copo e sou silêncio. E é quando te ouço suspirar, juro que sim. Olho para ti e só encontro um sorriso que compreende mais do que aquilo que mostra. Gosto de te ouvir falar, perder-me no tom da tua voz, embalar-me na certeza do teu riso. Se te disser como me apago lentamente de cada vez que ouço certas músicas dentro de mim. Como se os outros deixassem de existir e já não ouvisse mais nada. Se as lágrimas me corressem pelo rosto como quando vejo esses filmes que contam a nossa história. Talvez aí conseguisses saber da emoção que me invade ainda antes de adivinhares que te amo. E se algum dia descobrires que sou triste deixa-me deitar a cabeça no teu ombro. E sonhar contigo só mais um instante.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Não me acorrenta mais

Não me acorrenta mais
Por que nunca mais voltarei a tocar suas mãos
Porque quando as toco perco meus sentidos e transformo-me em uma criança e corro para seus braços
Para que você envolva me e acorrenta-me neles, prendendo-me e livrando-me
Venha estenda-me a mão e salva-me dos meus riscos
Continuo acreditando que um alguém sairá do meio da neblina para estende-me a mão
para salda-me
Salva-me da minha própria escuridão que atormenta o meu peito e invade a minha alma

Eduardo Zidu de Oliveira