Virginia Woolf
Chegamos a Dezembro sem os lamentos habituais, com as mãos nos bolsos e a assobiar canções que deixaram de ser proibidas nos nossos lábios. Estremeço de cada vez que me chamas meu amor, faço de conta que não ouço, coro de vergonha sem saber o que dizer. Porque não há palavras. Gesticulo o mais que posso para disfarçar o embaraço de tanto te querer, e tu a veres. Suspiro infinitamente quando te sinto perto, basta imaginar-te. De resto, o despertador insiste em contar as horas que faltam para te abraçar. Sempre achei que Dezembro escancarava a minha solidão: trazia frio e chuva às noites sempre longas. Agora lembro o teu sorriso, agradeço este coração cada vez mais quente, repleto de uma luz que conforta e inquieta na medida exacta da profundidade dos teus olhos nos meus. E assim adormeço, a amontoar sonhos entre a nossa voz sussurrada
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